As teorias de conspiração sobre o 11 de Setembro que circulam até hoje
AI Summary
Twenty-five years after the 9/11 terrorist attacks, various conspiracy theories persist about the event's true nature, including allegations of government involvement and controlled demolitions. Experts emphasize the lack of evidence for these claims while discussing the social and psychological factors driving such beliefs.
60 anos da TV Globo: JH fez cobertura, ao vivo, dos atentados de 11 de setembro de 2001 Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 entraram para a história como os mais graves já registrados. Após 25 anos, muitos continuam acreditando em teorias da conspiração que surgiram sobre o episódio nos Estados Unidos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O atentado suicida teve início com o sequestro de quatro aviões de passageiros pela rede terrorista islamista Al-Qaeda. Dois deles foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Outro atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, em Washington. O quarto avião tinha como alvo, supostamente, o Capitólio, sede do Congresso. No entanto, caiu na Pensilvânia depois que passageiros detiveram os sequestradores. Os atentados suicidas mataram quase 3 mil pessoas e deixaram milhares de feridos. Imagens e vídeos dos ataques circularam pelo mundo inteiro. O 11 de Setembro foi um acontecimento que transformou o mundo, tanto em relação ao terrorismo quanto às teorias da conspiração. "Foi um ponto de gatilho que desencadeou muita coisa: debates sociais que antes não existiam, problemas de segurança até então desconhecidos", resume o historiador Claus Oberhauser em entrevista ao programa de checagem de fatos alemão BR-Faktenfuchs. Envolvimento do governo americano? A torre sul do World Trade Center começa a desmoronar após os ataques aéreos do 11 de Setembro em Nova York Gulnara Samoilova/AP/Arquivo Eventos como o 11 de Setembro são um prato cheio para teorias conspiratórias, aponta Daniel Jolley, professor de psicologia social e pesquisador do tema na Universidade de Nottingham. Não à toa: até hoje há quem questione como o país mais poderoso do mundo pode ser pego de surpresa dessa forma. Alguns encontram respostas em narrativas conspiratórias. Segundo uma pesquisa do YouGov realizada em 2023, um em cada cinco americanos acreditava que o governo dos EUA esteve por trás dos atentados. Essa crença, que circula há décadas, demonstra que muitas pessoas desconfiam das instituições e dos "poderosos", explica Jolley. Uma das teorias que alimenta a crença de envolvimento do governo nos atentados é que as Torres Gêmeas e outros edifícios não teriam sido destruídos pelos impactos dos aviões, mas sim por implosões controladas. Ou que os aviões seriam responsáveis por apenas parte do dano. Essa narrativa não é alimentada somente nas redes sociais, mas também se baseia em afirmações de alguns indivíduos da comunidade científica. Um dos argumentos frequentemente citado é que as nuvens horizontais de fumaça observadas durante o colapso das torres indicariam explosões controladas nos andares inferiores. No entanto, não há qualquer evidência de que explosivos ou bombas tenham sido encontrados no local. Além disso, investigações como as conduzidas pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST, na sigla em inglês) explicam como o impacto dos aviões levou ao incêndio das torres e, consequentemente, ao seu colapso. Segundo o órgão governamental, isso foi corroborado pelas gravações em vídeo dos ataques. Outras análises, como as realizadas pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e pela empresa de consultoria Weidlinger Associates, chegaram à mesma conclusão. LEIA TAMBÉM Trump promete R$ 25 mil para cada americano adulto enquanto aprovação de seu governo despenca para 33% Rússia bombardeia shopping na Ucrânia e deixa mortos e feridos Tratado pelo fim de testes nucleares: letra morta ou esperança de paz? Por que as pessoas acreditam em teorias da conspiração? A segunda torre do World Trade Center é atingida por avião e explode em chamas durante atentado do 11 de Setembro em Nova York Chao Soi Cheong/AP/Arquivo Segundo Jolley, eventos repentinos e inesperados como o 11 de Setembro podem fazer com que determinadas necessidades psicológicas não sejam satisfeitas, especialmente "a necessidade de manter o controle, ter certeza sobre o que acontece e evitar o medo". É nessas horas que surgem muitas perguntas sem resposta: Como ocorreu o ataque? Quem está por trás dele? "São justamente essas lacunas que fazem as teorias da conspiração florescerem", explica o historiador Oberhauser. É aí que, segundo ele, algumas pessoas passam a considerar a possibilidade uma grande conspiração. "Qualquer pessoa pode acabar acreditando em teorias da conspiração", acrescenta Karen Douglas, professora de psicologia social da Universidade de Kent. Ainda assim, Jolley ressalta que ninguém simplesmente acorda um dia desconfiando de tudo e de todos. "É mais provável que isso seja uma jornada moldada pelas experiências de vida, por exemplo pelas adversidades que uma pessoa enfrentou." Segundo ele, a forma como alguém lida com crises também influencia. Quem é mais ansioso pode ser mais suscetível a acreditar nessas teorias, pontua. As redes sociais desempenham um papel importante na rápida disseminação desses mitos.