Como algoritmos mudaram a maneira que interagimos

🇧🇷 Globo (BR) —
Como algoritmos mudaram a maneira que interagimos

AI Summary

Algoritmos das redes sociais, que existem há 15 anos, têm transformado a forma como as pessoas interagem na internet, personalizando feeds de notícias. Governos em vários países, incluindo Brasil, União Europeia, Reino Unido e EUA, tentam limitar os impactos negativos desses algoritmos, como desinformação e interferência em processos eleitorais, enfrentando críticas sobre restrições à liberdade de expressão.

A nossa era tem sido rotulada de “sociedade algorítmica” Getty Images via BBC Os algoritmos de rede social, em sua forma comumente conhecida, já completaram 15 anos. Eles nasceram com o surgimento de feeds de notícias personalizados e classificados no Facebook em 2009 e transformaram a forma que interagimos na internet. Como acontece com muitos adolescentes, eles representam um desafio para os adultos que esperam conter seus excessos. Não é por falta de tentativa. Só este ano, governos de todo o mundo tentaram limitar os impactos dos conteúdos nocivos e da desinformação nas redes sociais, efeitos que são amplificados por algoritmos. No Brasil, o X, anteriormente conhecido como Twitter, foi banido por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, até que o site concordou em nomear um representante legal no país e bloquear uma lista de contas que as autoridades acusaram de questionar a legitimidade das últimas eleições. Enquanto isso, a União Europeia introduziu novas regras que ameaçam multar as empresas de tecnologia em 6% do volume de negócios e suspendê-las se não conseguirem evitar que suas plataformas sejam utilizadas para interferência em processos eleitorais. No Reino Unido uma nova lei de segurança online obriga os sites de redes sociais a reforçar a moderação de conteúdo. E nos EUA uma proposta de lei pode proibir o TikTok se o aplicativo não for vendido por sua controladora chinesa. Governos enfrentam acusações de que estão restringindo a liberdade de expressão e interferindo nos princípios da internet, tal como estabelecidos nos seus primórdios. Num ensaio de 1996, republicado por 500 websites, o mais próximo que se podia chegar de se tornar viral naquela época, o poeta americano e criador de gado John Perry Barlow disse: “Governos do mundo industrial, gigantes cansados ​​de carne e aço, eu venho do ciberespaço, o novo lar da mente. Em nome do futuro, peço ao passado que nos deixe em paz. Você não é bem-vindo entre nós. Você não tem soberania onde nos reunimos.” Adam Candeub, professor de Direito e ex-conselheiro do presidente Trump, que se descreve como um absolutista da liberdade de expressão, disse à BBC que as redes sociais estão “polarizando, são turbulentas, são rudes”, uma “maneira terrível de ter discurso público”. “Mas a alternativa, que penso que muitos governos estão defendendo, é torná-la um instrumento de controle social e político, e acho isso horrível.” O professor Candeub acredita que, a menos que haja “um perigo claro e presente” representado pelo conteúdo, “a melhor abordagem é um mercado de ideias e abertura para diferentes pontos de vista”. Estudante do Ifal ganha competição nacional de algoritmo Os limites da 'praça digital' Esta ideia de um “mercado de ideias” alimenta a visão de que as redes sociais oferecem condições de concorrência equitativas, permitindo que todas as vozes sejam ouvidas igualmente. Quando assumiu o Twitter (agora rebatizado como X) em 2022, Elon Musk disse que, externamente, via a plataforma como uma “praça digital”. Mas será que isso deixa de levar em conta o papel dos algoritmos? De acordo com Asha Rangappa, advogada e professora de assuntos globais da Universidade de Yale (EUA), Musk “ignora algumas diferenças importantes entre a praça tradicional e a online: remover todas as restrições de conteúdo sem levar em conta essas diferenças prejudicaria o debate democrático, em vez de ajudá-lo. ” Rangappa diz que o conceito de “mercado de ideias” é baseado na “premissa de que as ideias devem competir entre si sem interferência do governo”. No entanto, afirma ela, “o problema é que plataformas de redes sociais como o Twitter não se parecem em nada com uma verdadeira praça pública”. Em vez disso, argumenta Rangappa, “as características das plataformas de redes sociais não permitem, para começar, uma competição livre e justa de ideias... o 'valor' de uma ideia nas redes sociais não é um reflexo de quão boa ela é, mas é antes o produto do algoritmo da plataforma.” A evolução dos algoritmos 'O valor de uma ideia nas redes sociais não é reflexo de quão boa ela é, mas é antes o produto do algoritmo da plataforma', diz Rangappa Getty Images via BBC Os algoritmos podem observar o nosso comportamento e determinar o que milhões de nós vemos quando estamos logados. E, para alguns, foram os algoritmos que afetaram a livre troca de ideias possível na internet quando ela foi criada. “Nos seus primeiros dias, as redes sociais funcionavam como uma espécie de esfera pública digital, com o discurso fluindo livremente”, disseram à BBC Kai Riemer e Sandra Peter, professores da University of Sydney Business School. No entanto, “os algoritmos nas plataformas de redes sociais remodelaram fundamentalmente a natureza da liberdade de expressão, não necessariamente restringindo o que pode ser dito, mas determinando quem pode ver qual conteúdo”, dizem os professores Riemer e Peter, cuja pesquisa analisa o porquê precisamos repensar a liberdade de expressão nas re

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