Conhecida como 'capital do agro', Sorriso (MT) perde posto de cidade mais rica do setor após 6 anos; conheça a nova líder
AI Summary
Sorriso, Mato Grosso, known as the 'capital do agro', lost its position as the top agricultural production city in Brazil after six years, now ranking third due to territorial adjustments. The new leader is Sapezal (MT), driven mainly by cotton production, while Sorriso still leads in maize production value.
Agora no g1 Sorriso no Mato Grosso, conhecida como a “capital do agro”, não é mais o município brasileiro com o maior valor de produção agrícola. Depois de seis anos no topo, a cidade terminou 2025 na 3ª posição, atrás de São Desidério (BA) e Sapezal (MT). Os dados fazem parte da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra o valor gerado pelas principais lavouras de cada município ao longo do ano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 🔍 A PAM é uma pesquisa anual do IBGE que mostra o valor gerado pelas principais lavouras de cada município. Para chegar a esse número, o instituto considera quanto foi produzido e o preço médio dos produtos, chegando ao chamado valor da produção agrícola. Por isso, o ranking é medido em reais, e não apenas pela quantidade colhida em toneladas. Em Sapezal, o resultado foi puxado principalmente pelo algodão, que sozinho respondeu por quase 60% de todo o valor produzido no município. Em Sorriso, a soja foi o principal moto, já São Desidério teve forte peso do algodão e da soja na composição do valor agrícola. Veja abaixo a lista por valor produzido: 1º Sapezal (MT): R$ 8,59 bilhões 2º São Desidério (BA): R$ 8,22 bilhões 3º Sorriso (MT): R$ 8,16 bilhões 4º Campo Novo do Parecis (MT): R$ 7,87 bilhões 5º Formosa do Rio Preto (BA): R$ 5,89 bilhões 6º Diamantino (MT): R$ 5,82 bilhões 7º Rio Verde (GO): R$ 5,69 bilhões 8º Cristalina (GO): R$ 5,45 bilhões 9º Nova Mutum (MT): R$ 5,39 bilhões 10º Jataí (GO): R$ 4,84 bilhões Total do Top 10: R$ 65,92 bilhões ➡️ A mudança no topo do agro nacional não significa que Sorriso tenha deixado de ser uma potência agrícola. O que mudou foi a combinação entre o desempenho das lavouras e uma alteração no território usado para calcular os dados agrícolas do município. Por que Sorriso saiu do topo? Spoiler: não foi queda na produção. Uma das principais mudanças ocorreu com a criação de uma nova cidade: Boa Esperança do Norte (MT), que passou a ser contabilizado como município separado nas estatísticas do IBGE a partir de 2025. O novo município foi formado por áreas que antes pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã. Do território de Boa Esperança do Norte, 20% vieram de Sorriso e 80% de Nova Ubiratã. A mudança alterou a área agrícola atribuída aos municípios. Em Sorriso, a área plantada total caiu 9,3% em 2025. A área de soja recuou 8,3%, a de milho diminuiu 10% e a de algodão, 19,7%. Isso não significa, porém, que a produção agrícola de Sorriso tenha despencado. O valor produzido com soja cresceu 21,6%, para R$ 4,05 bilhões, e o município continuou na liderança nacional em valor da produção de milho. No algodão, houve queda de 1,6% no valor da produção e de 12,8% na quantidade colhida. Com a redução da área contabilizada e o desempenho das culturas, Sorriso terminou 2025 em 3º lugar no ranking nacional, depois de seis anos na liderança. A nova capital do agro: Sapezal Localizada no oeste do estado, a cerca de 520 quilômetros de Cuiabá, Sapezal tem pouco mais de 32 mil habitantes e uma economia fortemente ligada à produção agrícola. A ocupação da região ganhou força a partir das décadas de 1970 e 1980, durante a expansão da fronteira agrícola de Mato Grosso. Muitos dos produtores que chegaram ao município vieram principalmente da Região Sul do país. Sapezal no Mato Grosso Divulgação (Prefeitura de Sapezal) O núcleo urbano de Sapezal começou a se consolidar no fim dos anos 1980, com a abertura da MT-235 e um projeto de colonização ligado ao empresário André Antônio Maggi, da família que deu origem ao Grupo Maggi. O município foi criado oficialmente em 1994, quando se emancipou de Campo Novo do Parecis. Dois anos depois, Maggi foi eleito o primeiro prefeito da cidade. Desde então, Sapezal se consolidou como um dos principais polos agrícolas do país, especialmente na produção de soja, milho e algodão. O 'combo' que levou Sapezal ao topo O resultado de 2025 veio principalmente do desempenho dessas três culturas. O algodão herbáceo foi o principal produto agrícola de Sapezal, com R$ 5,12 bilhões em valor de produção, alta de 42,8% em um ano. A cidade colheu cerca de 1,2 milhão de toneladas. A soja apareceu em seguida, com R$ 2,80 bilhões, avanço de 51,4%. Já o milho gerou R$ 656,9 milhões, alta de 58,1%. A combinação de grandes áreas cultivadas, produção em escala e forte presença de máquinas no campo ajuda a explicar o peso da agricultura na economia local. O algodão, em particular, é uma das marcas da agricultura de Sapezal. O município já aparece há anos entre os maiores produtores brasileiros da cultura e chegou a ser apontado pelo IBGE como o maior produtor nacional de algodão herbáceo. A mudança no mapa também mexeu com outros municípios A criação de Boa Esperança do Norte também alterou o desempenho de outros municípios no ranking. Boa Esperança do Norte já aparece em 25º lugar entre os municípios brasileiros em valor de produção agrícola, com R$ 1