DNA na água revela peixe raro da Mata Atlântica e ajuda a encontrar nova população

🇧🇷 Globo (BR) —
DNA na água revela peixe raro da Mata Atlântica e ajuda a encontrar nova população

AI Summary

Scientists discovered a critically endangered fish species, bagrinho-de-kaetés, in the Rio Itapemirim basin using environmental DNA analysis without capturing any individuals. This technique revealed a broader distribution and identified multiple vertebrate species, emphasizing the importance of preserving pristine habitats in Brazil's Mata Atlântica.

DNA na água revela peixe raro da Mata Atlântica e ajuda a encontrar nova população Juliana Paulo da Silva Uma espécie de peixe criticamente ameaçada de extinção foi encontrada sem que nenhum indivíduo precisasse ser capturado. A descoberta ocorreu em riachos da bacia do Rio Itapemirim, no sul do Espírito Santo, por meio da análise de DNA ambiental (eDNA), técnica que identifica vestígios genéticos deixados pelos animais na água. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram O estudo detectou a presença do bagrinho-de-kaetés (Trichogenes claviger) em três dos dez pontos amostrados e ampliou a área conhecida de ocorrência da espécie, considerada uma das mais raras da Mata Atlântica. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e do Instituto Nossos Riachos. Os resultados foram publicados na revista científica Neotropical Ichthyology. Além do bagrinho, os pesquisadores identificaram outras 25 espécies de vertebrados nas amostras de água, incluindo 15 espécies de peixes, além de aves e mamíferos. "O eDNA amplia nossa capacidade de enxergar a biodiversidade invisível. A técnica demonstrou desempenho maior comparado aos métodos tradicionais de coleta, identificando mais que o dobro de espécies por ponto de coleta", explica Juliana Paulo da Silva, pesquisadora do INMA e autora principal do estudo. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: FOTOS: Brasileira registra no Japão lagartas que parecem obras de arte da natureza VÍDEO: Nascimento do maior jacaré das Américas é registrado por pesquisadora REABILITAÇÃO: Pinguim é resgatado em praia de SP; veja por que esses animais voltam ao Brasil no inverno Um peixe raro e cercado de desafios O bagrinho-de-kaetés ocorre apenas nas cabeceiras da bacia do Rio Itapemirim. Por isso, sua distribuição é extremamente restrita, um dos principais fatores que explicam por que a espécie é tão difícil de encontrar. Segundo Juliana, o peixe vive em ambientes muito específicos, com água cristalina, bem oxigenada e cercados por florestas preservadas. Pequeno e discreto, costuma ficar escondido entre folhas e galhos acumulados nos riachos. "Encontrá-lo exige bastante esforço e muitas horas de campo", afirma. Veja o que é destaque no g1: Agora no g1 A situação se torna ainda mais delicada porque o animal depende diretamente da conservação desses ambientes. Alterações como desmatamento da vegetação ciliar, assoreamento dos cursos d'água e outras mudanças na paisagem podem comprometer a qualidade do habitat e ameaçar a sobrevivência da espécie. Além disso, o bagrinho-de-kaetés pertence a uma linhagem antiga de bagres, considerada importante para compreender a evolução desse grupo de peixes. "Quando protegemos esse peixe, não estamos conservando apenas uma espécie, mas também uma parte importante da história da biodiversidade brasileira", destaca a pesquisadora. Como o DNA revela espécies? A técnica utilizada no estudo funciona como uma espécie de investigação genética da natureza. Todos os organismos deixam rastros no ambiente por meio de escamas, muco, fezes e outros materiais biológicos. Esses vestígios permanecem na água, podem ser coletados e, depois, analisados em laboratório. Local do estudo Juliana Paulo da Silva No estudo, os pesquisadores coletaram amostras de água dos riachos e realizaram uma filtragem para concentrar o material genético presente. Em seguida, o DNA foi extraído e sequenciado, permitindo identificar quais espécies haviam passado pelo local. A principal vantagem é que o método consegue registrar animais raros, pouco abundantes ou difíceis de observar. "Muitas vezes um peixe pode estar escondido ou em baixa abundância e não ser registrado pelos métodos tradicionais, como peneiras e redes. O DNA ambiental aumenta muito essa capacidade de detecção", explica Juliana. Como dispensa a captura dos indivíduos, a técnica oferece uma forma menos invasiva de monitorar espécies ameaçadas e seus habitats, característica considerada importante para a conservação de animais em risco. Importância dos riachos Para os pesquisadores, os resultados mostram que os riachos de cabeceira da Mata Atlântica ainda guardam uma biodiversidade pouco conhecida. Mesmo em uma região estudada há anos, a aplicação de novas tecnologias permitiu revelar populações que haviam passado despercebidas pelos métodos convencionais. Embora a descoberta de uma nova população do bagrinho-de-kaetés represente uma boa notícia para a conservação, os pesquisadores alertam que a espécie continua em situação crítica. "Ela ainda permanece restrita a poucos riachos e depende de ambientes muito preservados. Mas agora temos informações mais precisas sobre onde ocorre e podemos planejar estratégias mais eficientes de conservação", diz Juliana. Segundo Heron Oliveira Hilário, pesquisador da PUC-MG e um dos autores do estudo, a tecnologia também abre caminho para mon

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