Esquema ligado à Refit custeou caviar, mansão na Serra e cobertura para Cláudio Castro, diz PF
AI Summary
Investigations reveal that former Rio de Janeiro governor Claudio Castro may have benefited from a money laundering scheme linked to the Refit group, including payments for luxury items and properties masked through third parties. The Supreme Court decision has enabled further probes into alleged direct favors granted by Castro for environmental licenses and against competitors.
Ex-governador do RJ Cláudio Castro Jornal Nacional/ Reprodução Investigações da Polícia Federal apontam que o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, obteve vantagens diretas de um esquema de lavagem de capitais da Refit que incluiu o pagamento de R$ 10,5 mil em caviar por meio da empresa de um terceiro, o aluguel da cobertura onde ele vive na Barra da Tijuca e a posse de fato de uma mansão em Petrópolis com direito a um projeto de adega personalizada de R$ 245 mil. As informações estão na decisão sobre a operação Sem Refino 2, que teve o sigilo retirado nesta quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O documento aponta uma série de condutas e indícios de que o ex-governador Cláudio Castro atuou diretamente para favorecer os interesses do Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), liderado por Ricardo Magro. A investigação da Polícia Federal, acolhida na decisão do ministro, detalha um suposto esquema de lavagem de capitais e ocultação de patrimônio que beneficiaria diretamente Castro. A engrenagem contava com a utilização de interpostas "laranjas" e empresas de terceiros para blindar bens de luxo e pagar despesas cotidiana. O g1 busca contato com Cláudio Castro. Justiça decreta falência das empresas do grupo Refit no RJ O documento aponta entre provas dados extraídos de celulares apreendidos, que indicam que o ex-governador Cláudio Castro e outros secretários mantinham canais diretos de comunicação para agilizar licenças ambientais e perseguir empresas concorrentes. O episódio do caviar A primeira fase da Operação Sem Refino foi deflagrada em maio. Na ocasião, Moraes determinou a prisão preventiva de Ricardo Magro e autorizou buscas contra Castro e outros investigados. Magro está foragido e foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol. A análise dos celulares apreendidos nessa etapa levou a PF a pedir novas medidas ao STF. Segundo os investigadores, o material encontrado reforçou os indícios levantados na primeira fase da operação Mensagens citadas decisão indicam que Cláudio Castro negociou pessoalmente a compra de diferentes tipos e gramaturas de caviar de alto padrão com um fornecedor. Castro pediu para que a entrega de parte das iguarias fosse realizada em uma suíte do Hotel Emiliano, em São Paulo, onde ele estava hospedado em 24 de abril de 2026. O valor final da compra, após descontos, ficou em R$ 10.500. Embora Castro tenha dito ao vendedor que enviaria o comprovante do PIX, a análise bancária revelou que a transferência de R$ 10.500,00 não partiu de suas contas pessoais. O pagamento foi efetuado pela conta bancária da empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, de propriedade do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como "Pipo" — apontado como o operador central de branqueamento de capitais do grupo. A PF aponta isso como prova objetiva do uso de terceiros para quitar gastos cotidianos do ex-governador de forma incompatível com seus rendimentos lícitos. Cobertura e mansão em Petrópolis Ex-governador Cláudio Castro em cobertura na Barra da Tijuca. Ele é alvo de buscas da Polícia Federal Charles Júnior/ TV Globo O documento aponta que Cláudio Castro usufruía da posse de fato de um imóvel de luxo no condomínio Locanda Residenze, em Petrópolis, registrado formalmente em nome da empresa Concrecasa Construções Inteligentes Ltda., o que consistia em uma manobra de ocultação patrimonial. Segundo a PF, a vantagem indevida se evidencia pelo fato de a administradora da Concrecasa, Carolina Gonçalves Xavier Pereira, possuir fortes vínculos societários com o empresário Luiz Fernando Gomes. A empresa de Gomes, a Enge Prat Engenharia e Serviços, firmou onze contratos com o governo estadual durante a gestão de Castro, totalizando R$ 355,2 milhões (dos quais R$ 49,6 milhões foram celebrados sem licitação). Segundo a decisão, Castro agia perante terceiros como o verdadeiro dono do local, gerindo rotinas de segurança, recebendo faturas de energia elétrica da empresa em seu celular e coordenando reformas — as quais tratava por "minha obra" —, incluindo a execução de um projeto de adega climatizada orçado em R$ 245.000,00, cujo arquivo PDF trazia nos metadados o título "AP Adega Claudio Castro".. Em relação à cobertura de luxo no Condomínio Atmosfera, na Barra da Tijuca, as investigações apontam para a obtenção de vantagens por meio de um contrato de aluguel subfaturado e do uso de uma empresa de fachada para ocultar o verdadeiro beneficiário. Segundo a PF, Castro reside no imóvel sob um contrato que estipula o pagamento de R$ 10 mil mensais à empresa J3 REAL ESTATE PARTICIPAÇÕES LTDA., valor significativamente inferior à média de mercado para coberturas equivalentes na região, avaliada pela Polícia Federal entre R$ 25 mil e R$ 29 mil. Além disso, a J3 REAL ESTATE foi constituída apenas 50 dias antes de adquirir a cobertura por R$ 3,48 milhões, possui este imóvel como seu único ativo registrado e só providenciou a abertura de sua primeira c