Ex-chefe de terminal no Porto de Santos é condenado por facilitar envio de 416 kg de cocaína à Suíça

🇧🇷 Globo (BR) —
Ex-chefe de terminal no Porto de Santos é condenado por facilitar envio de 416 kg de cocaína à Suíça

AI Summary

The former head of a terminal at the Port of Santos in Brazil was sentenced to 11 years in prison for facilitating the shipment of 416 kg of cocaine to Switzerland. The illegal drugs were concealed in coffee sacks and discovered at a Nespresso factory in Switzerland, leading to an international investigation.

O Porto de Santos é o maior corredor de exportação de café do Brasil ACS/Divulgação A Justiça Federal de Santos, no litoral de São Paulo, condenou a 11 anos de prisão o ex-chefe de um terminal portuário autorizado pela Receita Federal, conhecido como Redex, acusado de facilitar o envio de 416 kg de cocaína para a Suíça. Diogo da Silva Santos, de 40 anos, usava sua posição para liberar contêineres sem os registros obrigatórios. Segundo a acusação, ele permitiu que criminosos colocassem a droga em cargas de exportação, em março de 2022. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. O caso ganhou repercussão internacional porque a cocaína foi descoberta em sacas de café na fábrica da Nespresso, em Romont, na Suíça. Funcionários acionaram as autoridades locais, e a investigação levou à Polícia Federal no Brasil. Testemunhas relataram que Diogo chegou a dizer que havia “vendido” um contêiner por R$ 250 mil. Ele nega ter recebido dinheiro e afirma que recorrerá da decisão. Agora no g1 De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o acusado autorizou a saída de um contêiner do terminal Redex para que traficantes colocassem a droga e a exportassem para a Europa, em março de 2022. Na época, Diogo era o responsável pelo pátio. Segundo os investigadores, Diogo usou sua posição para permitir a entrada e saída do contêiner durante seus plantões, sem registrar os procedimentos obrigatórios. Nesse intervalo, teria ocorrido a ocultação da droga. 🔎 Redex: É um terminal autorizado pela Receita Federal fora da alfândega, usado para preparar e liberar cargas de exportação com fiscalização simplificada, agilizando o envio de mercadorias ao exterior. Condenação e multa Segundo o MPF, Diogo orientou os funcionários do terminal a não realizar controles nem fiscalizações na carga. À Polícia Federal, ele confessou ter participado da retirada e da devolução do contêiner e disse que agiu sob ameaça de criminosos. Na Justiça, porém, apresentou versão diferente (veja abaixo). Para o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, a conduta do acusado “constituiu elo fundamental, imprescindível, para assegurar o sucesso da empreitada criminosa”. O magistrado destacou que ele se aproveitou da função para criar o intervalo necessário à prática do crime. A defesa pediu a redução da pena com base no chamado tráfico privilegiado, que ocorre quando o réu tem bons antecedentes e não faz parte de organizações criminosas. O juiz negou o pedido, alegando que as circunstâncias indicam vínculo com grupo criminoso ou dedicação a atividades ilícitas. O réu foi condenado a 11 anos e 1 mês de prisão, podendo recorrer em liberdade ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, já que respondeu ao processo solto. O magistrado também fixou multa de 1.110 dias-multa, equivalente a R$ 44,8 mil. Depoimento Em depoimento à Polícia Federal, o proprietário do terminal e outros funcionários relataram que Diogo confessou o crime a eles e disse que havia “vendido” o contêiner por cerca de R$ 250 mil aos criminosos. À corporação, porém, negou ter recebido o dinheiro. Durante o inquérito, afirmou que agiu sob ameaça de criminosos que o abordaram em um campo de futebol próximo ao pátio. Contou que dois homens desconhecidos ofereceram R$ 250 mil para que realizasse o serviço, mas disse ter recusado a proposta. Como recusou a proposta, os homens teriam mostrado fotos da esposa e da filha dele e o ameaçado. Diogo contou que recebeu um celular dos criminosos e passou a receber mensagens com números de contêineres que poderiam ser usados para esconder a droga. Entre cinco ou seis opções, ele indicou qual seria mais fácil de retirar do pátio. Depois, recebeu a orientação de permitir a entrada de um caminhão para levar o contêiner e, dois dias depois, autorizar seu retorno. Em seguida, devolveu o telefone aos suspeitos. Em depoimento à Justiça, porém, mudou sua versão e negou o crime, alegando que apenas cumpria ordens e não tinha autonomia para liberar ou inspecionar contêineres. O g1 procurou a defesa para comentar a decisão, mas não obteve resposta. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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