Ex-jogadora da Noruega virou dirigente, modernizou futebol local e agora desafia a Fifa
AI Summary
Lise Klaveness, former Norwegian footballer and current president of Norway's football federation, has gained global recognition for modernizing local football and challenging FIFA on human rights and governance issues. She has been a vocal advocate for workers' rights and LGBTQ+ protections around major football events.
Técnico da Noruega manda recado para Ancelotti: "Pode esperar. Estamos chegando" Fora dos holofotes do futebol mundial por 28 anos, a Noruega hoje é um dos países mais influentes nos bastidores da Uefa e da Fifa. Parte disso graças ao trabalho de Lise Klaveness, presidente da federação norueguesa de futebol, que construiu sua relevância com críticas e denúncias à Fifa, defesa aos direitos humanos e um sólido trabalho no desenvolvimento do esporte em seu país. Ex-jogadora da seleção norueguesa, mestre em direito e juíza suplente da corte de Oslo, Lise é um raríssimo caso de liderança feminina no futebol mundial. Das 48 seleções participantes da Copa do Mundo 2026, apenas Noruega, Estados Unidos, Bélgica, Inglaterra e Haiti têm mulheres no comando de suas respectivas federações. "O Brasil está tremendo", provoca jornal norueguês após classificação às oitavas Por que Vini Jr come abacaxi antes de entrar em campo na Copa Esposa de Paquetá compartilha recuperação do meia do Brasil durante a folga Lise Klaveness, presidente da federação norueguesa de futebol, em Congresso da Fifa Reprodução / Fifa TV O caso de Lise, no entanto, é emblemático. No cargo desde 2022, a norueguesa chamou a atenção dos cartolas que tomam as decisões do futebol mundial em seu ano de estreia, quando foi ao microfone do Congresso Anual da Fifa e fez duras críticas à organização da Copa do Mundo daquele ano, que seria disputada no Catar. — Em 2010 a Fifa decidiu que organizaria essa Copa do Mundo de uma maneira inaceitável e com consequências inaceitáveis. Direitos humanos e democracia não estavam no time titular até muitos anos depois. Esses direitos básicos foram deixados na reserva. A Fifa abordou essas questões posteriormente, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. — Os imigrantes, os trabalhadores feridos e as famílias daqueles que morreram na preparação para a Copa do Mundo devem receber cuidados [...] Não pode haver espaço para empregadores que não garantam a liberdade e a segurança dos trabalhadores da Copa do Mundo. Não pode haver espaço para líderes que não podem ser sedes do futebol feminino. Não pode haver espaço para anfitriões que não podem garantir legalmente a segurança e o respeito das pessoas LGBTQ+ que vêm a este teatro dos sonhos — discursou Lise em Doha, no Catar, meses antes da Copa do Mundo, com Gianni Infantino e toda a comitiva catari na plateia. Lise, presidente da Noruega ao lado de Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante partida entre Noruega e Costa do Marfim Reuters As críticas ganharam manchetes de todo o planeta e fizeram barulho nos bastidores da Fifa. Anos mais tarde, durante a disputa das Eliminatórias Europeias para a disputa da Copa do Mundo 2026, a Noruega decidiu doar toda a renda do jogo contra em Israel, em Oslo, aos programas do Médicos Sem Fronteiras em Gaza, na Palestina. Mais uma vez, Lise chacoalhou os bastidores do futebol mundial ao falar publicamente sobre o assunto. — O dinheiro é destinado ao trabalho de assistência da organização em Gaza e nas áreas vizinhas afetadas pela guerra. Como membro da Fifa e da Uefa, a federação norueguesa tem que lidar com a participação de Israel em suas competições. Ao mesmo tempo, não podemos e não seremos indiferentes ao sofrimento humanitário que está ocorrendo na região, especialmente aos ataques desproporcionais contra civis em Gaza — disse a norueguesa em coletiva de imprensa. Recentemente, dias antes do início da Copa do Mundo, a federação norueguesa assinou carta endereçada ao Comitê de Ética da Fifa solicitando a abertura de investigação contra Gianni Infantino, presidente da entidade, pelo Prêmio da Paz concedido a Donald Trump em dezembro do ano passado. A honraria entregue pela Fifa ao presidente dos Estados Unidos ocorreu em um cenário de tensões políticas do governo de Washington com a Venezuela, Palestina e Irã. Trump recebe prêmio de Gianni Infantino em Sorteio da Copa Getty Images Participação no desenvolvimento do futebol norueguês Sob a gestão de Lise, a Noruega espantou seus fantasmas e retornou à Copa do Mundo com uma campanha irretocável nas Eliminatórias: oito vitórias em oito jogos com 37 gols marcados. O time conta com astros mundiais, como Odegaard, meio-campista do Arsenal, e Erling Haaland, centroavante do Manchester City. Para conseguir voltar a ser competitiva globalmente, a Noruega criou, em 2013, um projeto chamado Landslagsskolen (Escola da Seleção Nacional), que aproxima a federação das escolas de futebol na identificação de talentos que possam ser lapidados para seguirem a carreira como atletas profissionais e, evidentemente, atinjam nível de performance exigido para defender o país em competições internacionais. Jogadores das categorias de base da Escola de Futebol da Noruega reprodução/Landslagsskolen — O nosso modelo na Noruega baseia-se muito no fato de o futebol de base e o futebol profissional estarem muito interligados. Não procuramos e selecionamos jogadores nas suas primeiras idades... quer