GLP-1 reduz mortes e amputações em pacientes com diabetes e doença arterial, indica estudo
AI Summary
A study published in the Journal of the American Heart Association found that GLP-1 receptor agonists reduce mortality, hospitalizations, revascularizations, and amputations in patients with type 2 diabetes and peripheral artery disease, compared to metformin treatment. The benefits seem linked to weight loss, glycemic control, anti-inflammatory effects, and improved endothelial function.
GLP-1 reduz mortes e amputações em pacientes com diabetes e doença arterial, indica estudo Adobe Stock Os medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, amplamente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, estiveram associados a uma redução do risco de morte, hospitalizações, revascularizações e amputações em pessoas com diabetes tipo 2 e doença arterial periférica (DAP), segundo um novo estudo publicado no Journal of the American Heart Association. Os benefícios foram observados após cinco anos de acompanhamento, em comparação com pacientes tratados com metformina, um medicamento usado principalmente para tratar o diabetes tipo 2. Os pesquisadores analisaram dados de uma grande base de prontuários eletrônicos da plataforma TriNetX entre 2010 e 2025. Na análise principal, foram incluídos 2.133 pacientes tratados com agonistas do receptor de GLP-1 e 2.133 pacientes tratados com metformina. Segundo os autores, os resultados sugerem que os agonistas do receptor de GLP-1 podem exercer benefícios que vão além do controle da glicemia e da perda de peso, e reforçam as evidências crescentes de que eles trazem benefícios vasculares e relacionados aos membros. Mas estudos observacionais, por si só, não são suficientes para mudar a prática clínica. Agora no g1 Menor mortalidade, menos amputações e menos hospitalizações Na população geral de pacientes com doença arterial periférica e diabetes tipo 2, os usuários de agonistas do receptor de GLP-1 apresentaram melhores resultados em diversos desfechos após cinco anos. Os principais achados foram: Mortalidade por qualquer causa: 10,31% entre usuários de GLP-1 contra 14,49% no grupo metformina; Hospitalizações: 69,3% versus 74,7%; Revascularizações: 4,69% versus 7,27%; Amputações maiores: 2,30% versus 4,36%; Amputações menores: 4,03% versus 6,42%. Em entrevista ao g1, a autora Akiva Rosenzveig explicou que pacientes com isquemia crônica com risco de perda do membro e obesidade apresentam uma carga mais elevada de inflamação, disfunção endotelial e doença metabólica. “Os agonistas do receptor de GLP-1 melhoram muitos desses processos por meio da perda de peso, melhor controle glicêmico, efeitos anti-inflamatórios e melhora da função endotelial. Como esses pacientes apresentam o maior risco basal, eles podem ser os que mais se beneficiam do tratamento”, afirmou. Caneta de semaglutida brasileira chega às farmácias com preços a partir de R$ 452 Estudo não constatou redução na incidência de infarto e AVC Por outro lado, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nas taxas de: infarto do miocárdio; acidente vascular cerebral (AVC); eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE); eventos renais adversos maiores (MAKE). Rosenzveig explicou que a mortalidade em pacientes com doença arterial periférica é influenciada por diversos fatores além do infarto e do AVC, incluindo isquemia progressiva dos membros, infecções, hospitalizações recorrentes e a saúde cardiometabólica geral. “As reduções observadas nas amputações, revascularizações e hospitalizações podem contribuir, em conjunto, para uma melhor sobrevida, mesmo que as taxas de infarto do miocárdio e de AVC permaneçam semelhantes”, disse a autora. Ozempic e outros inibidores de apetite podem causar perda muscular: como evitar? Benefícios foram maiores em pacientes com doença mais grave Os pesquisadores também avaliaram separadamente pacientes com isquemia crônica ameaçadora do membro (CLTI), considerada a forma mais grave da doença arterial periférica. Nesse grupo, o tratamento com agonistas do receptor de GLP-1 também esteve associado à redução de diversos desfechos: mortalidade (8,24% versus 11,63%); hospitalizações (65,82% versus 69,83%); revascularizações (2,93% versus 4,18%); amputações maiores (3,14% versus 4,81%); amputações menores (6,44% versus 8,49%). Entretanto, nesse subgrupo houve uma frequência discretamente maior de eventos renais adversos maiores entre os usuários de GLP-1 em comparação com o grupo metformina. Obesidade também influenciou os resultados Os autores realizaram análises exploratórias de acordo com o índice de massa corporal (IMC). Entre pacientes com obesidade (IMC igual ou superior a 30 kg/m²), o uso dos agonistas do receptor de GLP-1 esteve associado a: menor taxa de hospitalização; menor risco de amputação menor. Já entre os pacientes sem obesidade, os pesquisadores observaram apenas uma tendência de redução nas hospitalizações, sem diferenças estatisticamente significativas para os demais desfechos analisados. Estudo também avaliou pacientes com claudicação Outra análise incluiu pacientes com claudicação, manifestação mais comum da doença arterial periférica. Nesse grupo, o uso dos agonistas do receptor de GLP-1 esteve associado a: menor mortalidade; menos hospitalizações; menor risco de amputação maior. Nesta análise, também não houve diferenças significativas para infarto, AVC, eventos cardiovasculares