Lateral saiu do Haiti adotado, foi entregador de pizzas e enfrentou racismo antes de estar na Copa

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Lateral saiu do Haiti adotado, foi entregador de pizzas e enfrentou racismo antes de estar na Copa

AI Summary

Wilguens Paugain, a Haitian footballer who overcame extreme poverty, orphanage hardships, and racism, is now playing in the FIFA World Cup. His journey from Haiti to France and then professional football highlights socio-economic challenges and the ongoing food insecurity affecting millions in Haiti.

FIFA pede mudança na camisa do Haiti para a Copa Sob todos os aspectos, Wilguens Paugain é uma exceção. E talvez seja quase um milagre que esteja em uma Copa do Mundo. O lateral de 24 anos saiu de um orfanato haitiano aos cinco, adotado; sofreu uma lesão que quase encerrou a carreira precocemente; e enfrentou o racismo em um time desconhecido da Letônia. Hoje, estreia no Mundial contra a Escócia, às 22 horas (de Brasília). + Veja a tabela completa da Copa do Mundo Wilguens Paugain é lateral promissor do Haiti e do futebol belga Reprodução/Instagram Segundo as Nações Unidas, mais da metade da população haitiana vive atualmente em insegurança alimentar (51%): sendo 1,9 milhão de pessoas desnutridas, e outros 3,8 milhões sob risco de fome. Quando Paugain nasceu, em 2002, quase 80% do país vivia abaixo da linha nacional de pobreza, sobrevivendo com menos de três dólares por dia (ou R$ 15,20, números do fundo de combate à pobreza The World Bank). Atualmente, cerca de 30 mil crianças haitianas vivem em centenas de orfanatos espalhados pelo país, muitos com denúncias de trabalho forçado, tráfico de pessoas e abusos de todo tipo. Em condições normais, seria esta também a história de Paugain. Mas não foi. Wilguens Paugain nasceu em Thomazeau, na zona rural do Haiti, ficou meses em um orfanato até ser adotado por uma família francesa. Nos cinco anos em que viveu por lá, a crise era grave ao ponto de o país receber uma missão humanitária das Nações Unidas, liderada pelo Brasil. 🔍 Adicione o ge nas suas fontes favoritas do Google – Foi uma segunda chance. Se eu tivesse ficado no Haiti, se nunca tivesse sido adotado, meu caminho seria completamente diferente. Sei das condições em que as pessoas vivem lá: é extrema pobreza, pura e simplesmente – contou Paugain no ano passado ao site FootMercato. Ele e o irmão, Adelson Paugain, foram adotados por uma família de Vosges, na França, o que mudou seus destinos para sempre. Adelson desenvolveu uma marca própria de roupas, e Wilguens virou jogador: começou por brincadeira, mas ganhou um torneio e foi convidado para fazer a base no Nancy. Mais um pouco e veio parar na Copa do Mundo. O Haiti de Paugain está no grupo C da Copa do Mundo, o mesmo da seleção brasileira. Estreia contra a Escócia, às 22 horas (de Brasília) deste sábado (13), em Boston. Depois encara Brasil e Marrocos, respectivamente nos dias 19 e 24. Como chegam os adversários do Brasil no Grupo C da Copa do Mundo Lesão grave, delivery de pizza e racismo O futuro já se mostrava brilhante, com convocações para a seleção francesa sub-19, quando a vida de Paugain deu outra virada – esta, para pior. Aos 18 anos, rompeu o tendão de Aquiles em um treino e ficou sem o contrato profissional que tanto almejava. Durante a recuperação, veio a pandemia de covid-19, e o futebol parou. Foi aí que ficou sem dinheiro, voltou a morar com os pais e precisou entregar pizzas para complementar renda. – Tentei retomar o ritmo em um time da quarta divisão que já me conhecia, mas o elenco estava cheio, então fui treinar em um time amador. Entreguei pizzas, vivi de bico e recebi auxílio-desemprego, mas não era o suficiente, a conta não fechava. Eu me esforçava, mas foram muitas rejeições – conta Paugain. Initial plugin text A sorte, então, atacou novamente. O ex-empresário arranjou um clube no Chipre e ele aceitou "porque não tinha mais nada". Era uma última tentativa. Ele jogou pouco e acabou rebaixado no Akritas Chlorakas, mas aprovou a experiência por ter sido a primeira como profissional. O dono do clube cipriota tinha um time também na Letônia, o FK Auda, e Paugain arrumou as malas. – Os primeiros meses foram difíceis, muito por razões que eu descreveria como racismo, apesar de eu não gostar de usar essa palavra. Sentia que jogadores negros jogavam bem menos tempo com aquele técnico (o finlandês Simo Valakari). Era o que eu sentia. Mas aí veio um treinador português que me deu uma chance (Filipe Almeida). De lá para cá, em dois anos, o lateral ainda passou pela segunda divisão da Áustria, no SKN St. Polten, e finalmente desembarcou na Bélgica, no Zulte Waregem. Na primeira vez como titular, logo no jogo mais importante da temporada, deu uma assistência decisiva para o acesso à primeira divisão. Agora, Paugain tenta trazer esta estrela para a Copa do Mundo. Ele costuma ser reserva do Haiti, mas foi uma espécie de 12º jogador nos últimos amistosos, contra Nova Zelândia e Peru, jogando cerca de meia hora contra cada um. Ele tem quatro temporadas como profissional e oito partidas pela seleção.

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