Secas, enchentes e comida mais cara: como a crise climática afeta a nutrição infantil

🇧🇷 Globo (BR) —
Secas, enchentes e comida mais cara: como a crise climática afeta a nutrição infantil

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The article discusses the impact of climate change on child nutrition, highlighting how droughts, floods, and rising food prices affect access to nutritious food and contribute to both childhood obesity and malnutrition. Researchers from the University of São Paulo developed an interactive panel to track these issues and their environmental connections in Brazil.

Secas, enchentes e comida mais cara: como a crise climática afeta a nutrição infantil Adobe Stock Queimadas, enchentes e outros eventos climáticos extremos já não são as únicas formas pelas quais as mudanças climáticas se fazem presentes na vida de crianças ao redor do mundo. Cada vez mais, seus efeitos também chegam à alimentação. As secas reduzem a produção agrícola, as inundações interrompem estradas e cadeias de abastecimento e o aumento dos preços limita o acesso das famílias a frutas, verduras e outros alimentos frescos. Nesse cenário, ganham espaço produtos mais baratos, duráveis e de baixo valor nutricional, ampliando o risco de duas condições que, à primeira vista, podem parecer contraditórias: a obesidade e a desnutrição infantis. É esse conjunto de relações que o Painel Interativo de Sindemia Global em crianças menores de 5 anos procura tornar visível. O painel integra o projeto Sindemia Global: o impacto das mudanças climáticas antropogênicas na saúde e na nutrição de crianças menores de cinco anos atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele apresenta informações municipais sobre problemas nutricionais e emissões de gases de efeito estufa. O objetivo desse painel não é apenas mostrar onde se concentram a desnutrição e o excesso de peso, mas também ajudar a compreender como essas condições se distribuem pelo território e se relacionam com fatores ambientais. A ferramenta permite criar alertas de gravidade quando mais de um agravo está presente em um mesmo município e quando há tendência de piora desse cenário ao longo dos anos. Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp Agora no g1 A ferramenta foi desenvolvida pelo Sustentarea, núcleo que reúne pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas para estudar e desenvolver intervenções criativas no contexto dos sistemas alimentares, da alimentação sustentável e da sindemia global. Esse grupo de pesquisa e extensão está sediado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). O ponto de partida para compreender essa problemática está no fato de que a obesidade, a desnutrição e as mudanças climáticas não são problemas isolados. Em 2019, uma comissão internacional da revista científica The Lancet reuniu essas três crises sob o conceito de sindemia global. O conceito de sindemia O termo “sindemia” descreve a ocorrência simultânea de duas ou mais epidemias que interagem entre si, agravam seus efeitos e compartilham causas sociais comuns. No caso da sindemia global, obesidade, desnutrição e mudanças climáticas coexistem e são impulsionadas por fatores estruturais semelhantes. Entre eles estão a desigualdade social, a dificuldade de acesso a alimentos saudáveis e a sistemas sustentáveis de produção de alimentos. Também contribuem os meios de transporte e as mudanças no uso da terra, ambos com impactos sobre a saúde humana e o ambiente. No centro dessa dinâmica estão os sistemas alimentares, que abrangem a rede de atores e todas as etapas da cadeia de produção, do processamento, da distribuição, da comercialização e do consumo de alimentos, e as interações entre elas e as influências externas, como fatores ambientais, econômicos, políticos, tecnológicos e culturais. Esses sistemas estão associados a cerca de 74% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, são eles que determinam quais alimentos chegam aos territórios, quanto custam e quem consegue comprá-los — o que pode favorecer tanto a desnutrição quanto o excesso de peso. O painel concentra-se nas crianças menores de 5 anos, que se encontram em uma fase de elevada vulnerabilidade biológica e social. Nos primeiros anos, a alimentação e as condições ambientais influenciam o crescimento, o desenvolvimento, a imunidade e a saúde ao longo de toda a vida. Os efeitos da crise climática e da má nutrição não se distribuem igualmente: crianças pequenas e famílias de baixa renda tendem a sofrer impactos mais intensos e têm menos recursos para se adaptar. A ferramenta reúne dados dos municípios brasileiros entre 2008 e 2019 e permite acompanhar, conjuntamente, a evolução do déficit de estatura, do excesso de peso e das emissões de gases de efeito estufa por habitante. Mais do que localizar cada problema separadamente, a ferramenta procura identificar onde se sobrepõem e quais territórios devem ser considerados prioritários nas políticas de saúde, alimentação e clima. Como o painel identifica prioridades Para identificar os municípios mais vulneráveis, o painel combina dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) sobre déficit de estatura e excesso de peso com estimativas municipais de emissões de gases de efeito estufa do SEEG Brasil. A análise considera tanto a situação registrada em 2019 quanto a evolução dos indicadores entre 2008 e 2019. Os anos de 2020 a 2022 foram excluídos por representarem um período atípico. Durante a pandemia de covid-19, houve uma redução na procura por atendimento médico. Essa redução distorceu significat

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