Técnica inédita que separa terras raras funciona em laboratório da USP e deve ser testada em RR

🇧🇷 Globo (BR) —
Técnica inédita que separa terras raras funciona em laboratório da USP e deve ser testada em RR

AI Summary

Researchers at the University of São Paulo developed a novel nanoparticle-based technique to separate rare earth elements from clay samples collected in Roraima, Brazil. The method offers an environmentally safer alternative to traditional chemical processes and is now planned for field testing.

Pesquisa sobre terras raras em Roraima avança após pesquisas da USP Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram em laboratório uma técnica inovadora para separar as terras raras a partir das amostras de argila coletadas no Complexo Barreira, em Caracaraí, no Sul de Roraima. A região é estudada desde 2025 por cientistas pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR), que identificaram rochas e argilas com alta concentração de elementos de terras raras, minerais essenciais para o setor de tecnologia. Na USP, os cientistas conseguiram utilizar nanotecnologia para separar os elementos presentes nas argilas. Após o sucesso da técnica no laboratório, o objetivo é implementar o método em campo, onde fica o Complexo Barreira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp 🔎 As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos estratégicos para a indústria de alta tecnologia. Eles são usados na fabricação de baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. O processo na USP utiliza nanopartículas magnéticas preparadas para se ligar especificamente a determinado elemento presente em uma solução — funcionam como “capturadores”. Depois que o elemento se prende às partículas, um ímã é usado para retirá-las da mistura. Em seguida, as nanopartículas são colocadas em um meio com acidez controlada, que libera a terra rara separada. Doutor em Química e pesquisador da USP, o professor Henrique Eisi Toma desenvolveu, junto com a própria equipe, a técnica aplicada às amostras enviadas de Roraima. Para ampliar o conhecimento sobre a região, ele esteve pela primeira vez no Complexo Barreira, no dia 19 de outubro. A visita de campo teve como objetivo compreender como o material é encontrado na natureza, medir a radioatividade e validar a tecnologia em campo. Toma disse que, com o uso da nanotecnologia, é possível reduzir o impacto ambiental da separação das terras raras, tendo em vista que o processo não produz resíduos poluentes na natureza. "É um processo circular [a nanotecnologia]. Você recupera e solta, recupera e solta, e a partícula vai sendo usada o tempo todo. Nunca produz rejeito, não produz dano ambiental. Cada vez que se recicla, o custo cai à metade. Se você usa dez vezes, sai de graça. Esse é o processo que nós estamos fazendo e já provamos isso no laboratório. Fizemos testes importantes que mostram que isso é verdade. Chegou a hora de mostrar que funciona no campo. Para isso, estou aqui", afirmou. Sem nanotecnologia, o processo para identificar as terras raras seria submetido a um tratamento químico, que dissolve o mineral em ácidos. Esse método gera vapores e resíduos poluentes nocivos. O processo exigiria lidar com materiais radioativos, com necessidade do uso de roupas e reatores especiais devido aos riscos à saúde dos trabalhadores. Porém, a técnica da USP, deve tornar isso mais seguro (entenda mais abaixo). A área com registros de terras raras está localizada na zona rural de Caracaraí, distante cerca de 140 km da capital Boa Vista. O local de 120 hectares tem rochas e argilas de aspecto brilhante, que fica entre as serras Baraúna e do Anauá. Inovação na prática O processo para transformar as terras raras em produtos prontos para a comercialização envolve nove etapas. Com a pesquisa da USP, o processo avançou da primeira etapa, que permite conhecer as características dos materiais, para a quinta, que separa as terras raras por meio da nanotecnologia. Agora, o principal desafio é fazer com que o método funcione em grandes quantidades, a partir do processo de sondagem. A sondagem consiste na perfuração do solo em pontos previamente definidos para retirar amostras dos materiais em diferentes profundidades, entre 50 e 100 metros, como explica o professor da UFRR Vladimir de Souza, doutor em bioestratigrafia, e um dos pesquisadores à frente dos estudos em Roraima. "A gente já tem noção de uma certa concentração. E agora [com a sondagem] teremos a certeza. A partir da sondagem, teremos a cubagem, que determina o volume de material que será explorado e catalogar a jazida. É nessa hora que você transforma uma ocorrência mineral em uma jazida economicamente viável", afirmou. Ao todo, mais de 50 trincheiras foram abertas em diferentes pontos da área no Complexo Barreira. Segundo a pesquisa, terras raras foram identificadas em todas elas, inclusive em profundidades de até 15 metros. A geóloga e geofísica Lorena Malta, professora e pesquisadora da UFRR que também tua no Complexo, disse que ainda não se sabe o custo exato para instalar o equipamento de sondagem em uma trincheira, mas afirmou que é alto. O trabalho dela na iniciativa é identificar em quais trincheiras há o maior potencial de teor de terras raras. Até agora, segundo ela, 90% da área apresenta alta concentração. "A partir de todo o mapeamento geológico e integração de dados geofísicos, a gente seleciona alvos, com base na assinatura geológica. Cada rocha tem uma assinatura g

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