Terceira guerra mundial: sensação de que o mundo já está nela ganha força

🇧🇷 Globo (BR) —
Terceira guerra mundial: sensação de que o mundo já está nela ganha força

AI Summary

Amid growing concerns about the escalating conflicts involving Ukraine and Iran, analysts perceive these interconnected wars and the involvement of major powers as elements of a potential world war. The article highlights recent diplomatic engagements between US President Trump and key leaders from Ukraine and Israel, emphasizing the intertwined nature of these regional conflicts and their global implications.

No dia que a guerra do Irã completa 5 meses, Trump recebe Netanyahu na Casa Branca Um navio iraniano afundado no Mar Cáspio por drones ucranianos. Trinta mil soldados norte-coreanos a caminho da linha de frente russa. Drones Shahed, fabricados no Irã, caindo sobre Kiev havia meses — agora sendo abatidos por especialistas ucranianos enviados ao Golfo Pérsico para ajudar a proteger aliados americanos de outros drones Shahed, disparados por outro país. Há dois anos, cada um desses fatos seria tratado como episódio isolado, próprio de uma guerra regional específica. Hoje, cada vez mais gente enxerga neles a mesma coisa: pedaços de um único conflito, que se espalha. A sensação de que o mundo já vive — ou está a poucos passos de viver — uma guerra mundial deixou de ser provocação acadêmica e virou tema corrente entre analistas de segurança internacional, colunistas e formuladores de política externa. Não é consenso, e ninguém está dizendo que o mundo caminha para uma repetição das duas guerras do século 20. Mas a percepção de que os conflitos da Ucrânia e do Irã pararam de correr em paralelo e passaram a se tocar diretamente veio ganhando corpo nas últimas semanas — e os encontros do presidente americano, Donald Trump, na terça-feira (28), em Washington, com o ucraniano Volodymyr Zelensky e com o israelense Benjamin Netanyahu, ajudaram a reavivar essa sensação, ao reunir na mesma sala, no mesmo dia, os líderes dos dois lados de guerras que já deixaram de correr em paralelo: de um lado, Rússia e Irã, que trocam armas e inteligência entre si; do outro, Ucrânia, que agora troca tiros diretamente com o Irã. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A tese de Paul Poast Mísseis iranianos em exibição EPA "Os EUA continuam equipando, treinando e fornecendo inteligência à Ucrânia — fazem tudo menos puxar o gatilho. E a Rússia está fazendo o mesmo pelo Irã: fornecendo armas, informações de alvejamento e assistência de planejamento." A frase é do professor de Relações Internacionais e Ciência Política da Universidade de Chicago, Paul Poast, em entrevista à BBC News Brasil em maio — um dos primeiros a dar nome e substância a essa sensação. Para ele, dois elementos bastam para justificar o conceito de guerra mundial: duas grandes guerras simultâneas em continentes diferentes, a da Ucrânia e a do Irã, e o envolvimento direto de grandes potências em ambas, cada uma apoiando o adversário da outra no conflito oposto. Poast reconhece que a escala dos conflitos atuais está longe da devastação das duas guerras do século 20, mas recorre a um paralelo histórico menos óbvio: a Guerra dos Sete Anos, no século 18, que também reuniu múltiplas potências em múltiplos teatros sem alcançar aquele patamar de destruição. "Essa é uma analogia muito melhor para pensar o conceito de guerra mundial", disse. Já em maio, via na China o fator mais imprevisível da equação — o risco de Pequim interpretar o desgaste americano na Ucrânia e no Irã como uma janela de oportunidade sobre Taiwan. "Esse seria o grande ponto de inflexão", afirmou. Nesta terça-feira, Poast atualizou sua avaliação à BBC News Brasil: "Os acontecimentos recentes e as informações mais atuais reforçam como aquilo que talvez parecesse, em maio, uma afirmação provocativa — a de que vivemos uma guerra mundial — hoje é visto como plausível, talvez até amplamente aceito. Os dois conflitos estão atraindo mais países, e nenhum dos dois parece perto do fim". O professor repetiu, ainda, a ressalva que fizera antes: "Isso não significa que os conflitos vão atingir o nível de violência da Primeira ou da Segunda Guerra Mundial, mas isso não é necessário para que um conflito se integre a uma guerra mundial". O aviso de Gideon Rachman Países como a República Tcheca intensificaram treinamentos militares EPA O comentarista-chefe de política externa do Financial Times, Gideon Rachman, tratou do mesmo fenômeno em artigo publicado na segunda-feira (27). "Não há dúvida de que tanto a China quanto os EUA estão se preparando ativamente para uma guerra um contra o outro", afirma. Para Rachman, os conflitos da Europa, do Oriente Médio e da Ásia — "ainda largamente distintos" — "começam a se sobrepor". Ele lembra que as duas guerras mundiais do século passado envolveram alianças identificáveis e conflito direto entre as maiores potências do planeta, e nota que o conjunto atual de conflitos já cumpre parte desses critérios: guerras sobrepostas em dois continentes, com influência sobre conflitos na África, e uma aproximação entre Rússia, China, Irã e Coreia do Norte que estrategistas americanos batizaram de "eixo dos adversários" (ou "eixo da desordem"). Rachman cita o ex-diretor sênior de planejamento estratégico da Casa Branca no governo de Joe Biden, Thomas Wright, para quem "a China ajudou a Rússia a reconstruir sua capacidade militar muito mais rápido do que seria possível de outra forma, fornecendo máquinas-ferramenta, microeletrônica e outras tecnologias cruciais, além de co

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