Terras raras, tarifas, agro e IA: entenda o que Trump e Xi negociam e os impactos para o Brasil
AI Summary
US President Donald Trump and Chinese President Xi Jinping met in Washington to discuss trade tariffs, rare earth minerals, agricultural purchases, AI, chips, aviation, and geopolitical issues including Taiwan and Iran. The two nations extended their trade truce until January 2027 amid ongoing negotiations affecting global supply chains and commodities relevant to Brazil.
Presidente chinês é recebido por Trump nos EUA antes de reunião oficial nesta quinta O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, se reúnem nesta quinta-feira (24), na Casa Branca, em Washington, para discutir os próximos passos da relação entre as duas maiores economias do mundo. A pauta inclui tarifas, terras raras, compras de produtos agrícolas, inteligência artificial, chips, aviação e investimentos, além de questões geopolíticas como Taiwan e Irã. Qualquer mudança na relação entre Washington e Pequim pode reverberar no comércio global, afetando preços, cadeias de produção e empresas de diferentes países. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os dois países chegam ao encontro depois de concordarem em estender até 10 de janeiro de 2027 a trégua comercial que venceria em novembro. A pausa dá mais tempo para que Washington e Pequim tentem avançar em acordos sobre pontos que continuam em aberto. Para o Brasil, dois setores concentram parte importante dos possíveis efeitos: o agronegócio, principalmente a soja, e a mineração, diante da busca internacional por fornecedores de terras raras fora da China. Trump e Xi nos Estados Unidos REUTERS Tarifas: uma trégua para ganhar tempo A guerra comercial entre Estados Unidos e China levou as tarifas dos dois lados para a casa dos três dígitos, antes das reduções negociadas posteriormente. A trégua interrompeu parte dessa escalada e agora foi prorrogada até janeiro. Um dos pontos em negociação é a retirada mútua de tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis. A medida faz parte das tentativas de Washington e Pequim de reduzir algumas das barreiras comerciais sem encerrar a disputa mais ampla entre os dois países. A negociação também envolve questões como taxas cobradas de navios chineses em portos americanos e outras barreiras que afetam o transporte de mercadorias. Para outros países, inclusive o Brasil, mudanças nas rotas de comércio entre as duas maiores economias podem alterar a concorrência por mercados e fornecedores. Isso é especialmente relevante para produtos agrícolas e minerais. Terras raras: o trunfo da China As terras raras são um grupo de minerais usados em produtos como motores elétricos, eletrônicos, equipamentos de defesa, turbinas e componentes de alta tecnologia. A China domina boa parte dessa cadeia e tem usado controles de exportação como instrumento de pressão nas negociações com os Estados Unidos. O país responde por cerca de 70% da mineração mundial de terras raras, 85% do refino e 90% da produção de ligas e ímãs. O problema para os americanos não está apenas em encontrar minério. A concentração chinesa também ocorre nas etapas de processamento e fabricação de produtos derivados, o que torna mais difícil substituir rapidamente os fornecedores. Por isso, Washington busca garantir um fluxo mais previsível de minerais críticos enquanto tenta desenvolver alternativas à cadeia chinesa. É nesse ponto que o Brasil entra na equação. O país possui grandes recursos de terras raras, mas ainda tem uma participação pequena na produção e, principalmente, no processamento desses minerais. A tentativa de Estados Unidos e outros países de diversificar fornecedores pode aumentar o interesse por projetos brasileiros e abrir espaço para investimentos no setor. O professor de Relações Internacionais da ESPM Roberto Uebel afirma que o Brasil vem buscando justamente diversificar suas parcerias nessa área, incluindo União Europeia, Austrália e Canadá. “O Brasil tem buscado ao longo do ano diversificar parcerias no setor de terras raras, sobretudo com a União Europeia, Austrália e Canadá, justamente para diminuir a dependência e o risco dela com os EUA e a China.” Assim, qualquer mudança na relação entre Washington e Pequim pode influenciar não apenas o comércio de terras raras, mas também a disputa internacional por novos fornecedores. Agro: a soja está no centro da disputa A agricultura é outro ponto em que a negociação interessa diretamente ao Brasil. A China é o maior comprador mundial de soja e compra grandes volumes tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil. Durante a guerra comercial, tarifas chinesas reduziram a competitividade da soja americana e favoreceram os embarques brasileiros. Agora, Pequim voltou a ampliar as compras dos Estados Unidos. Como parte dos acordos anteriores, a China se comprometeu a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Além disso, assumiu o compromisso de comprar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em outros produtos agrícolas dos Estados Unidos em 2026, 2027 e 2028. As compras de soja americana já começaram a aumentar. Até 10 de setembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) havia confirmado a venda de quase 10 milhões de toneladas da safra atual para a China. O movimento não significa que a China deixará de comprar soja brasileira. O mercado chinês é grande o suficiente para absorver volumes dos dois p