Turismo dos ventos: entenda como o kitesurf movimenta a economia e muda o litoral do Ceará
AI Summary
Kitesurfing has become a significant economic driver transforming the coast of Ceará, Brazil, generating around 210 million reais in 2025. The sport attracts tourists and stimulates local tourism infrastructure such as accommodations and leisure. The growing practice impacts families and communities, combining sport, tourism, and environmental considerations on the 'tourism of winds' phenomenon.
Como o kitesurf movimenta centenas de milhões de reais e transforma o litoral do Ceará Os ventos constantes e o mar 'flat', gíria do surf para dizer que as águas estão calmas e tranquilas, atraíram a nutricionista Carolina Sasaki, de 47 anos, até a praia do Cumbuco, em Caucaia, na Grande Fortaleza. Carolina faz kitesurf há cerca de dois anos e esta é a segunda vez que vem ao Ceará aproveitar a temporada de ventos. Na mesma região, o empresário e kitesurfista Gláucio Esteves, de 52 anos, se divide entre administrar uma pousada e um hostel voltados a turistas interessados no esporte, e também aproveitar as horas livres onde mais gosta de estar: no mar. “O kite muda a vida”, resume. LEIA TAMBÉM: Dunas de destino turístico no Ceará escondem vila soterrada há mais de 40 anos; conheça a história de Tatajuba Dia Mundial da Fotografia: histórias de quem mantém álbuns e fotos físicas em tempos de registros digitais 🏖️ Esporte náutico que gerou para o Ceará uma receita de R$ 210 milhões só em 2025, o kitesurf é uma atividade radical em que o praticante fica sobre uma prancha e usa a força do vento e da pipa para se equilibrar. Nos últimos anos, esportes que usam a força dos ventos, como o kite, o windsurf e wing foil, cresceram no estado e se tornaram ativos importantes da economia. ➡️ Nesta reportagem, entenda como o kitesurf tem impulsionado o turismo cearense. Além disso, saiba quais implicações ambientais e sociais o chamado 'turismo dos ventos' pode causar em comunidades praianas. Turismo dos ventos: como o kitesurf movimenta centenas de milhões de reais e transforma o litoral do Ceará. Arquivo pessoal Mudança de vida Carolina Sasaki, 47 anos. Arquivo pessoal Natural de Brasília, mas moradora do Rio de Janeiro, Carolina Sasaki experimentou o kitesurf pela primeira vez nas águas cariocas, mas é no Ceará onde se sente mais segura para praticar com liberdade. A nutricionista está no Cumbuco com o esposo e os filhos, que também praticam kite. A atividade, mais do que exercício físico, representa um momento divertido em família para eles, que devem passar cerca de oito dias no litoral. "Muitas pessoas que moram no Rio e fazem kite há muitos anos falaram para a gente vir ao Ceará. Aqui o vento é constante, não é rajado. Você tem lugares em que o mar está mais flat. A direção do vento é diferente. Por exemplo: no Rio de Janeiro, o vento joga você lá para o alto mar, aqui ele joga para a areia”, conta. Nesta segunda viagem, Carolina optou por alugar um apartamento por temporada. O local conta com cozinha equipada, espaço amplo e piscina. A hospedagem fica a cerca de cinco minutos (a pé) do Centro do Cumbuco, onde a família encontra bares, restaurantes e outras opções de lazer. 🏄🏼♀️ O Cumbuco é um bairro turístico e famoso de Caucaia, localizado a cerca de 40 minutos de Fortaleza. Os passeios de buggy, esportes radicais e vida noturna chamam atenção de turistas de todo o mundo. "De dois anos para cá o negócio evoluiu consideravelmente. Então, você tem bastante opção, bastante variedade para poder escolher, e de diversos preços. Para quem está aprendendo, o Ceará é muito propício. Faz uns dois anos que estamos envolvidos com isso. A gente não veleja maravilhosamente bem, ainda estamos só de aprendizado (...) Aqui é maravilhoso, me sinto segura", conta Carolina Sasaki. Gláucio Esteves, 52 anos. Arquivo pessoal Na mesma região do Cumbuco e a um minuto da praia, o pernambucano Gláucio Esteves, de 52 anos, se divide entre administrar uma pousada e um hostel voltados a interessados no kitesurf, e também aproveitar as horas vagas para praticar o esporte. Gláucio conheceu o kite há 16 anos e revela que a prática mudou completamente sua vida. Jornalista de formação, ele já morou nos Estados Unidos, na Austrália e em estados brasileiros, como Paraná e São Paulo. No entanto, foi em solo cearense onde aprendeu a equilibrar uma paixão e o seu sustento. "Eu vinha muitas vezes no ano para o Ceará para desenvolver [o kite]. Depois comecei a vir para períodos maiores, fui fincando raízes, comprei apartamento. Comecei a ver [que precisava] fazer alguma coisa aqui para ocupar meu tempo, ajudar a desenvolver o próprio turismo na cidade. Surgiu a oportunidade de ter uma pousada e entrei de cabeça", conta ao g1. Gláucio concorda que as condições climáticas fazem do Ceará uma referência nos esportes náuticos. Os ventos, a temperatura da água e o calor formam o cenário perfeito para se aventurar sobre a prancha. Gláucio Esteves, 52 anos. Arquivo pessoal O empresário comanda uma pousada na região há cerca de quatro anos. Já a criação do hostel é recente. O espaço também oferta pacotes de aulas de kitesurf. "Eu acho que o potencial do Nordeste, do Ceará, é incrível. Falta um pouco de investimento em infraestrutura para acolher melhor o turista, em relação à comunicação e mobilidade. Nós temos uma extensão muito longa de praias e o deslocamento [entre elas] às vezes é difícil. E tem muitos lugares onde a internet não funciona. E a conectivi