Crea-SP diz que engenheiro que vistoriou prédio que caiu 7 meses antes da tragédia que matou seis tinha 'obrigação ética' de avisar a Defesa Civil
AI Summary
The São Paulo Engineering Council (Crea-SP) stated that the engineer who inspected a building that collapsed killing six people had an ethical duty to alert the Civil Defense about the risk. The engineer provided a cost estimate to the construction company, but the proposal did not advance, and authorities are investigating the incident.
Engenheiro viu falhas graves e risco de colapso em prédio que desabou e matou seis pessoas O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP) afirmou em nota, nesta sexta-feira (24), que o engenheiro que vistoriou o prédio que caiu na região da Penha, Zona Leste de SP, e matou seis pessoas tinha ‘obrigação ética’ de avisar as autoridades sobre o risco de colapso do edifício. Conforme o g1 publicou, o engenheiro Fabio José de Oliveira prestou depoimento à Controladoria-Geral do Município de São Paulo na investigação sobre a queda de prédio. Ele disse que, em fevereiro deste ano, havia feito um orçamento para a Construtora New Home, com a intenção de deixar o edifício em condições técnicas para moradia. Segundo o profissional, na vistoria ele alertou a construtora sobre o risco de colapso da edificação e fez um orçamento de R$ 1,5 milhão até R$ 5 milhões para que o edifício fosse recuperado. Vistoria do engenheiro Fabio José de Oliveira, que constatou falhas graves no prédio que desabou na rua Tequici, bairro da Penha, em 12 de setembro. Reprodução/TV Globo Como a New Home tinha apenas R$ 670 mil para investir e a negociação não evoluiu. E no último dia 12 de setembro o prédio caiu e matou uma família inteira que morava na casa ao lado. Segundo o Crea-SP, “diante de risco iminente de desabamento que possa colocar em perigo a vida e a integridade física de terceiros”, cabia ao engenheiro “comunicar a situação à Defesa Civil e aos órgãos municipais competentes, a fim de viabilizar a adoção das providências cabíveis”. “Em observância aos deveres éticos de preservação da incolumidade pública e de proteção da integridade das pessoas, previstos nos arts. 8º, VI, e 9º, I, c, da mesma Resolução, cabe ao engenheiro comunicar a situação à Defesa Civil e aos órgãos municipais competentes, a fim de viabilizar a adoção das providências cabíveis”, disse o órgão de classe. O Crea-SP também diz que “compete às autoridades municipais vistoriar edificações e áreas de risco e promover, quando necessário, a intervenção preventiva, a interdição de imóveis e a evacuação da população”. “Nesse contexto, a legislação não estabelece obrigação geral de encaminhamento ao CREA-SP dos resultados de vistorias realizadas por profissionais de Engenharia. Ao Conselho compete fiscalizar o exercício profissional e apurar eventuais infrações à legislação e ao Código de Ética, inclusive quanto à responsabilidade técnica dos profissionais envolvidos, nos termos dos arts. 33 e 34 da Lei nº 5.194/1966”, esclareceu. Nota do CREA-SP sobre a fiscalização do prédio que caiu na Penha, em 12 de setembro. Reprodução A reportagem procurou o engenheiro Fabio José de Oliveira para entender o motivo dele não ter alertado a Defesa Civil sobre o caso, mas ainda não recebeu retorno. Também por meio de nota, a New Home que "desconhece qualquer orçamento nesse sentido e contratação de alguém para vistoria. Estão aguardando o resultado da perícia oficial que poderá indicar as causas do desabamento". Depoimento à CGM A Controladoria-Geral do Município de São Paulo (CGM) ouviu, no último dia 18 de setembro, um engenheiro que fez uma vistoria no prédio que desabou na região da Penha, na Zona Leste da capital, e matou seis pessoas há onze dias. O engenheiro Fabio José de Oliveira disse que foi procurado por um representante da Construtora New Home, responsável pela obra, para fazer um orçamento técnico no prédio da Rua Tequici e deixar o edifício em condições de obter o Habite-se da Prefeitura de São Paulo. Durante a vistoria, realizada em fevereiro deste ano, Oliveira afirmou ter identificado e fotografado diversas falhas graves na obra, que apresentava diferenças em relação ao alvará aprovado pela administração municipal. Engenheiro viu falhas graves e risco de colapso em prédio que desabou e matou seis pessoas Segundo o engenheiro, havia muitas rachaduras dentro do prédio e as escadas não atendiam às normas do Corpo de Bombeiros, com estreitamento em alguns andares. O edifício também tinha 50 apartamentos, em vez dos 39 previstos no projeto registrado na prefeitura. Oliveira também afirmou ter observado que a construção “puxava uma das casas e empurrava outra”. Em uma das casas, já havia rachaduras nos muros. Era justamente o imóvel que foi atingido pelo desabamento ocorrido em 12 de setembro. Na época, o engenheiro recomendou que a família deixasse o imóvel enquanto os reparos fossem realizados. Segundo ele, a calçada já apresentava rachaduras e o prédio tinha risco de colapso. O prédio já havia passado por novos reforços estruturais, mas, de acordo com o engenheiro, as intervenções não eram suficientes para eliminar o risco de desabamento. Negociação Vistoria do engenheiro Fabio José de Oliveira, que constatou falhas graves no prédio que desabou na rua Tequici, bairro da Penha, em 12 de setembro. Reprodução/TV Globo No depoimento à Controladoria-Geral do Município, Fabio José de Oliveira disse que iniciou uma negociação com a